CORREIO NO CAMINHO DE FERRO
O caminho de ferro, que trouxe um progresso generalizado e alterou as condições de vida e os hábitos das populações em meados do século XIX, representa também um marco importante no desenvolvimento do transporte postal. A vantagem do caminho de ferro em relação a outros meios de transporte reside na regularidade dos seus serviços, dia e noite, na sua velocidade considerável e na sua elevada capacidade de carga. As estações postais ao longo das linhas de caminho de ferro recém-construídas começaram a ser abandonadas e muitos carteiros e outros trabalhadores dos correios ficaram sem emprego. As estalagens de beira de estrada, os estábulos e os ferreiros de beira de estrada foram perdendo a sua importância. A administração de correios resistiu inicialmente à utilização do caminho de ferro por ter perdido o direito exclusivo de transportar passageiros, mas depressa se apercebeu das suas vantagens. Foram introduzidos vagões especiais para o correio ferroviário e o correio ambulante (também ditos ambulâncias; a palavra deriva do latim ambulāns, que significa móvel) tornou-se o principal meio de transporte do correio.
Na Eslovénia, o primeiro caminho de ferro foi construído a partir de Graz, via Maribor, para Celje (1846), Liubliana (1849) e Trieste (1857). Já em 1857, o primeiro correio ambulante na Eslovénia foi introduzido nesta linha num comboio de passageiros.
Devido ao aumento do tráfego, foram criadas estações postais em rotundas nos principais cruzamentos ferroviários e nas grandes cidades. Em 1852, a estação postal de Liubliana II já estava em funcionamento no ramal ferroviário do sul. As estações postais itinerantes não eram estações postais autónomas, mas apenas divisões das estações postais das linhas férreas permanentes, sendo assinaladas com o nome da estação de partida e de chegada e um número regular, por exemplo, Liubliana – Belgrado 3.
No início, eram utilizados vagões simples para os correios ambulantes, mas em 1858, devido ao aumento do tráfego, os Correios introduziram os vagões Pullman de quatro eixos. A primeira parte da carruagem era utilizada para guardar as encomendas e os sacos, a segunda para as cartas e uma área de trabalho para o pessoal de correios e para a distribuição do correio. Um regulamento especial especificava exatamente o aspeto que um vagão postal devia ter. Tinha de ser verde, com guarnições e acessórios em esmalte preto e um teto cinzento. Por exemplo, até a cor dos letreiros, a tonalidade das paredes do armazém e até a casa de banho foram especificadas. O mobiliário interior devia ser em ocre, feito de madeira de carvalho.
Nas estações postais itinerantes, os carteiros selecionavam o correio à medida que este avançava, orientando-o e expedindo-o pelo caminho mais rápido para o destinatário. Como as ambulâncias também recebiam correio, os vagões dispunham igualmente de caixas de correio, cada uma com um carimbo postal que servia para carimbar os objetos recebidos diretamente no vagão.
No início da década de 1920, existiam na Eslovénia 20 estações postais itinerantes e, com o aumento do tráfego de encomendas no final da década de 1920, foram introduzidas ambulâncias especiais para encomendas. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os caminhos-de-ferro continuaram a ser um meio de transporte importante para os correios, mas a escassez generalizada levou a que, imediatamente após a guerra, fossem utilizadas carruagens puxadas por cavalos, trenós pedestres e as primeiras carreiras regulares de autocarros para o transporte de correio. No início da década de 1950, o correio era transportado em 41 vagões, 18 carrinhas, 269 carrinhos de mão e 189 bicicletas, bem como em 83 carreiras de autocarros.
As estações postais itinerantes começaram a ser suprimidas nos anos 60 na então Jugoslávia e, em 1962, existiam apenas sete. No final da década de 1980, apenas quatro estações postais ambulantes continuavam a funcionar nas rotas Liubliana – Zagreb e Liubliana – Belgrado. O último posto de correio ambulante Ljubljana-Zagreb com trabalhadores dos correios foi inaugurado a 28 de agosto de 1991, embora os comboios sem pessoal tenham continuado a transportar encomendas nesta rota até 1996.
O COMBOIO COMO TRANSPORTE DE CORREIO
A evolução dos meios de transporte sempre foi determinante para o desenvolvimento das comunicações. Em meados do século XIX, a política adotada por Fontes Pereira de Melo (Ministro das Obras Públicas) na construção de novas estradas, veio permitir acelerar o serviço da mala-posta no transporte da correspondência e pessoas.
No entanto, a ligação da capital às principais cidades do Norte mantinha-se muito lenta e excessivamente dispendiosa. Era cada vez mais importante seguir os progressos que a Europa estava a viver com a introdução da locomotiva a vapor.
O desenvolvimento do caminho de ferro iria trazer ao país uma maior facilidade e rapidez no transporte da correspondência, bem como uma redução acentuada nos custos envolvidos, tornando a comunicação entre as populações mais acessível.
A 28 de outubro de 1856 inaugurava a linha férrea em Portugal, com um troço que ligava Lisboa ao Carregado. Logo no dia seguinte, a Sub-Inspeção-Geral de Correios e Postas do Reino colocava no caminho-de-ferro as primeiras malas postais – cumprindo-se o contrato estabelecido entre o governo e a Companhia Real dos Caminhos de Ferro que impunha o transporte, gratuito e em boas condições, das malas do correio e seus condutores em vagões, nos comboios de maior velocidade. Dava-se, assim, o início de uma modernização relevante no serviço postal.
Mais tarde, com a aprovação do estabelecimento de estações postais ambulantes nos caminhos de ferro, a Sub-Inspeção-Geral negociou com a Alemanha a compra de oito carruagens “ambulâncias postais”.
Os vagões de correio eram atrelados às restantes carruagens do comboio e funcionavam como estações de correio itinerárias. Funcionários dos correios devidamente formados eram responsáveis pelo tratamento postal desenvolvido ao longo dos percursos, permitindo a divisão das cartas por destino e a recolha de correspondência em caixas nas paragens das estações das linhas férreas. O tratamento da correspondência era feito em cabines especiais e sem interrupções, obrigando os funcionários a trabalhar dia e noite.
A atividade das ambulâncias postais foi encurtando a distância entre muitas localidades do país, ao mesmo tempo que as linhas telegráficas iam igualmente desbravando o seu caminho e permitindo uma nova forma de comunicar.
Com exceção do período 1869-1875, em que a crise vivida no país obrigou a suprimir as estações postais ambulantes, a sua atividade esteve em pleno até 1990 altura em que foram substituídas pelo transporte rodoviário.
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